 (Foto: Nelson Shiraga Jr.) |
O jornalista, escritor e apresentador de TV, Luiz Biajoni - o Bia, é o entrevistado do jornalistas.blog.br.
Autor de livros com títulos criativos e pai de idéias inovadoras, como o finado site Tiro & Queda que serviu de base para a criação do jornalistas.blog.br, Bia é hoje um dos apresentadores do programa Fatos & Notícias, da TV Jornal.
João Leonardi - Certa vez você me disse que tinha feito inscrição para ser participante do Big Brother. E aí, continua tentando?
Luiz Biajoni - Hahahahahahahaha começamos bem! Nunca fiz inscrição, não. Um amigo que trabalha na produção do programa chegou a comentar comigo se eu não gostaria de entrar e tal, há uns três ou quatro anos. Mas nem continuei o papo, acho que isso não é pra mim.
Daniel Heldt - Você acredita em jornalismo imparcial? Quem veículo de comunicação pratica isso aqui em Limeira?
Luiz Biajoni - O jornalismo do fato é bastante imparcial, de maneira geral, em todos os veículos. O Jabor escreveu uma vez que estamos vivendo de “não-notícias”; que é uma acusação, uma dúvida, um beliscão. Veja esse momento, de ano eleitoral: se dermos bola para todo boato, buchicho, fofoca, delação, insinuação, estamos mortos, vamos só fazer matérias de “não-notícias”. Eu não estou mais à frente da direção de jornalismo da TV Jornal há muito tempo, jornalistas mais capacitados que eu estão no comando agora, André Montanher e Rodrigo Piscitelli – ufa, aí estão dois dos grandes! A gente discute às vezes, se a TV deve ou não entrar em algumas discussões, e acho que a prioridade da TV é sempre O FATO, que deve sempre ser comunicado PARA A MASSA. Estamos num veículo de massa, não fazemos jornalismo para meia dúzia. É importante ter isso em mente.
Edvaldo Ângelo Milano - Nos governos anteriores você era muito mais critico que hoje. É censura, autocensura, amadurecimento, cansaço ou lei da sobrevivência?
Luiz Biajoni - Não acho que era mais ou menos crítico. Quando tem que criticar, eu critico. Cheguei na imprensa de Limeira na época de Jurandyr Paixão, em 1993, e a TV começou de forma bem crítica. Quando assumiu o Pedrinho Kuhl, havia uma expectativa positiva em torno de seu nome, seria uma oxigenação. Infelizmente seu governo não foi dos melhores, frustrou as expectativas, meteu os pés pelas mãos, houve a renúncia, etc... Fui crítico dos tucanos, achei que perderam a oportunidade histórica de colocar a cidade nos trilhos, com apoio dos governos estadual e federal. Fracassaram. O Silvio Félix tem um estilo centralizador, do qual particularmente não gosto, me remete ao Paixão, mas é inegável que fez pela cidade mais do que os tucanos em 8 anos. Como atendo a população diretamente, posso dizer sem medo de errar: diminuíram consideravelmente as reclamações da população sobre a administração, em todos os níveis.
João Leonardi - Orlando Zovico é um homem muito rico. Dono do Sistema de Rádio e Televisão em Limeira. Você acredita que ele continuou como vice de Félix na última eleição por qual motivo?
Luiz Biajoni - Pô, essa pergunta eu passo pra ele. Mas eu acho que conheço o Zovico o suficiente para dizer que ele se dedica mais à prefeitura do que às suas empresas. Empresário de sucesso que ama o que faz, especialmente rádio e TV, deve ser doloroso para ele deixar tudo isso pela atividade pública. E o Zovico faz mais do que parece ou aparece.
Odair Zambom - Bia, é verdade ou é lenda: você quando sai com os amigos para um chopp leva sempre R$ 12,00???
Luiz Biajoni - Hahahahahahaha é uma verdade que virou lenda – ou vice-versa.
João Leonardi - Acreditamos que jornalistas jabazeiro$ existam aos montes em Limeira. Você conhece muito$? Eles têm lugar na TV Jornal? Segundo o Djalma Martins, Diretor do Jornal de Limeira, caso o dono da mídia saiba do “engraxa a mão”, ele passa a ser co-autor. Concorda com ele?
Luiz Biajoni - Concordo com o Djalma. Mas vou ser bem sincero: nunca vi acontecer. Eu nunca vi, embora ouça falar de casos e mais casos. Mas eu, de fato, nunca vi. Não precisaria mentir, podia dizer: “uma vez eu vi um jornalista receber dinheiro”, ou “um jornalista me contou que recebeu dinheiro”, mas tudo o que ouvi até hoje, para mim, não passa de boato. É impossível acontecer esse tipo de coisa na TV Jornal, nosso sistema não permite que um jornalista teça loas ou críticas a um político, algo assim. Nosso trabalho é conjunto, colegiado. Em todos esses anos na TV ouvi umas duas ou três histórias, há muito tempo, mas nunca soube de nada de fato, nunca presenciei.
Daniel Heldt - Como você vislumbra o jornalismo daqui a alguns anos? A mídia impressa cederá sua vez para a virtual?
Luiz Biajoni - Acredito que sim, embora ache que vai demorar um bom tempo ainda. Há 10 anos, quando montei o site Tiro&Queda achava que o jornalismo virtual acabaria com o impresso em 5 ou 6 anos. Hoje acho que ainda vai precisar de uns 20. Sou um péssimo profeta.
João Leonardi - Se não me engano o PT Limeirense o contratou na campanha para prefeito em 2002. O Partido dos Trabalhadores pagou direitinho ou você teve que ingressar na justiça para receber? E recebeu o combinado?
Luiz Biajoni - Fui procurado para dirigir os programas do horário eleitoral gratuito do PT, na campanha para prefeito, e fiz uma proposta baixíssima por simpatia ao candidato Wilson Nunes Cerqueira e, na época, ao coordenador da campanha, o Janjão, que escreve aqui no site de vocês. Fizemos um contrato e eu acabei assumindo mais coisas do que constava nele – que era, basicamente, dirigir os programas de TV. Acabei fazendo rádio, TV, a parte escrita, a agenda do candidato, auxiliando o candidato em eventos e debates, quase tudo. Chegava no comitê às sete da manhã e ia embora às duas, três, para voltar no outro dia às sete. Por isso achei sacanagem quando não pagaram o combinado – e fui à justiça, quase seis meses depois da eleição, período em que ainda tentei receber “na boa”. Quem assinou o contrato em nome do PT foi o Janjão e aí disseram que ele não tinha autoridade para fazê-lo. Mas ele aparecia nos jornais como coordenador da campanha, no cartório eleitoral tinha o nome dele como representante do PT, eles viram que iam perder. E propuseram um acordo que mal deu para que eu pagasse meu advogado. Ainda assim, nutro simpatia pelo Cerqueira – não sou de mágoas. Já o Janjão foi mal intencionado – ou só usado mesmo, “boi de piranha”. Sou ingênuo, acredito nas pessoas.
Moacir Rangel - Sendo você, à vista de todos, um profissional eclético e ecumênico, com qual ou quais personagens da história (em todos os tempos) você se identifica? Você se espelha em algum personagem histórico?
Luiz Biajoni - Nunca pensei nisso, então a pergunta pede reflexão imediata. Gosto desses escritores aventureiros e beberrões, como Hemingway, Henry Miller ou Bukowski – mas não sei se eles se encaixam na categoria “personagem histórico” tal qual você imaginou.
João Leonardi - No passado nós assinamos em conjunto uma denúncia sobre um processo que era de Certidão Negativa de IPTU e depois de arquivado passou a ser licitação para contratação de uma agência de publicidade por parte da prefeitura. Você acredita que a corrupção e impunidade vão diminuir neste país?
Luiz Biajoni - Acredito, João, você me conhece e sabe que eu sou um otimista. Inclusive por existir gente tão interessada no bem comum como você, acho que estamos no caminho de melhorias contínuas. Eu acredito que está cada vez mais difícil de se fazer falcatruas, de desviar o dinheiro público.
Redação - Você já fez várias campanhas eleitorais para candidatos. Pretende participar de alguma neste ano eleitoral? E como expert em política, quais os nomes mais prováveis para a eleição a prefeito de 2012?
Luiz Biajoni - Sou amigo de Kleber Leite há muitos anos e talvez ele saia mesmo como candidato a deputado estadual. É um cara interessante, interessado em fazer o bem, sem vícios políticos e pouco afeito a bajulações. Se ele sair, devo apoiar – mas como amigo. Para 2012, bem, os nomes nós sabemos: Zovico, Eliseu, Cortez. Mas o cenário está distante ainda.
Daniel Heldt - Numa cidade do porte de Limeira há espaço para duas (ou mais) emissoras de TV?
Luiz Biajoni - Acho que há. Limeira cresceu e vai crescer mais. É bom que tenha mais emissoras, são mais oportunidades de trabalho para os profissionais, fica mais acirrada a disputa por audiência e publicidade. Mas a TV – assim como o jornal, a rádio, a revista – tem que ser profissional, sem interesses políticos-eleitorais.
Simone Portella - Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo seu brilhante trabalho. Achei uma ótima escolha do blog a indicação de seu nome principalmente porque você tem se mostrando um grande comunicador que alcança as formas diversificadas da comunicação atual, creio que você tem sido muito reconhecido pelo trabalho na TV e rádio, mas também não édiferente com o trabalho de comunicação escrita feita nos blogs e livros que escreve. Seus livros me parecem uma forma moderna de reportar a realidade de sociedade, mas os títulos tem me chamado a atenção e creio que também de seus leitores, então gostaria de fazer duas questões: 1ª) Você pretende tornar-se um escritor de novela, uma vez que tem discutido e mostrado temas da atualidade? 2ª) Em relação aos títulos de suas obras, você acha que pode ser classificada como uma estratégia de marketing ou você acha que esses títulos traduzem os anseios e curiosidades que muitas pessoas desejam conversar, mas não sabem exatamente a quem recorrer?
Luiz Biajoni - Respondendo a primeira pergunta, creio que talvez eu vá, naturalmente, para as novelas. Há o meu interesse, tenho falado com pessoas, estou chegando agora ao cinema. Se der certo, no futuro distante, pode ser interessante. Em relação aos títulos de meus livros, há um pouco de marketing ali, serve para chamar a atenção sim, mas são títulos que cabem perfeitamente nas obras, eu sempre desafio a pessoa a ler e me arrumar um título melhor. São títulos de apelo sexual, mas os livros não são exatamente pornográficos – embora haja sexo. São, na verdade, novelas policiais. Em nenhum caso são livros de auto-ajuda, como você parece sugerir. Hehehehehehe. De qualquer maneira, meus três livros estão agora esgotados e fora de catálogo. Meu novo livro sai entre março e abril pela Língua Geral e se chama “Elvis e Madona – Uma Novela Lilás”, livro que foi adaptado do filme de mesmo nome e que deve estrear nos cinemas brasileiros no meio do ano.
João Leonardi - Qual a sua avaliação do prefeito de Limeira e que nota, de 0 a 10, você daria para a Câmara Municipal de Limeira? Qual é o pior e o melhor vereador na sua opinião?
Luiz Biajoni - Nota 6. É incrível como essa câmara pareceu, num primeiro momento, extremamente boa e com alguns meses nós vimos que não era bem assim. Gosto do Botion e do Miguel Lombardi. E o Piuí, bem, eu fiz um elogio sincero ao Piuí no programa, todos fomos às lágrimas, mas ele tem se mostrado o mais despreparado em todos os sentidos. Uma pena.
Daniel Heldt - Na TV a frase de que “nada se cria, tudo se copia” cai como uma luva. Nota-se que a maioria dos programas são cópias fiéis de outrosjá existentes, quer seja no seu modo de ser apresentado, quer seja na construção do cenário (uma TV de plasma de fundo, por exemplo). Se fosse o dono de uma emissora, que tipo e formato de programa inovador colocaria no ar?
Luiz Biajoni - Como se inovação fosse sinônimo de qualidade, né Daniel? Não é. A Globo compra programas como o BBB, tem uma garantia de funcionalidade, de audiência. É assim com o jornal, é assim com o programa feminino nas manhãs, é assim com o programa policial do final da tarde. Falamos de formatos. O que temos que considerar é o conteúdo dentro dos formatos. Como fazer um programa de entrevistas sem uma pergunta e uma resposta? Vamos fazer uns enquadramentos malucos, uma iluminação maluca, como faz o Abujamra no “Provocações”? Aquilo é inovação? É o mesmo programa de entrevistas, no final das contas – mas o Abujamra tem um conteúdo fantástico e isso faz a diferença. Tenho umas duas ou três idéias que considero inovadoras para TV, e que talvez possa testar um dia. Espero que seja aqui mesmo, na TV Jornal.
João Leonardi - Para trabalhar na TV Jornal o profissional precisa...
Luiz Biajoni - Ser legal, ser bacana, ter espírito de equipe, não ter o ego maior que o microfone. A idéia da TV Jornal sempre foi de família mesmo – por isso algumas pessoas que se consideram grandes estrelas tiveram apenas passagem pela emissora - e não deixaram nenhuma saudade. |