Quem Escreveu Este Artigo

marcos PAULINO

é jornalista desde que se conhece por gente. Começou na Gazeta de Limeira quando o diário ainda era feito nas velhas linotipos. Não que ele seja velho, mas é que iniciou cedo na profissão. Foi redator-chefe do Jornal de Limeira, repórter do Correio Popular de Campinas e sapecou suas matérias na grande imprensa como correspondente da Agência Estado. Fez – e ainda faz – assessoria de imprensa para várias campanhas políticas e empresas. Comandou a comunicação da Prefeitura de Limeira por oito anos e, mais recentemente, vem se dedicando também ao jornalismo na internet, em especial no site Virando Bixo, da EPTV.com. Também é o editor do Plug, o espaço dedicado aos jovens da Gazeta de Limeira. Experimentou – e não gostou – a sensação de ser professor de jornalismo. Por isso, pelo menos por enquanto, decretou por encerrada sua carreira acadêmica. Mas, como seu nome é trabalho, está aqui também, contribuindo com suas anotações sobre o cotidiano. Blog: Vade Retro
Um chip no meu cérebro

08/03/2010 - 14:43:33


Dias atrás, tive um sonho bem maluco. Parecia enredo de filme de ficção científica. Sei lá como a nossa mente produz esses devaneios enquanto dormimos, mas, enfim... No sonho, não consigo lembrar o porquê, tínhamos a opção de participar de um programa de uma organização que previa o implante de um chip no cérebro. Esse chip armazenava informações sobre tudo o que o implantado fazia ou pensava durante as 24 horas do dia.

Com esses dados, era produzido um relatório, detalhando o que havia se passado em nossos cérebros. Uma das informações mais interessantes, segundo minha avaliação, era justamente sobre os sonhos que havíamos tido na noite anterior. Vinha lá, impresso no papel, tudo com que tínhamos sonhado. Muito legal, porque a gente sempre acaba esquecendo boa parte do que sonha mesmo. Mas estavam no relatório também informações comprometedoras. Pensamentos “impróprios”, por exemplo.

O experimento ainda entregava tudo o que havíamos comido no período. E, no relatório, vinham especificados dados sobre cada alimento, como valor energético, quantidade de gordura, essas coisas, como nos rótulos dos produtos que compramos nos supermercados da vida.

Pesando prós e contras da experiência, decidi pela retirada do chip. Não iria querer gente tendo acesso a tudo que se passava na minha cabeça. Nem eu mesmo queria saber de tudo, afinal. Nada impedia que o aparelhinho fosse extraído, mas restava uma dúvida: o que me garantiria que isso realmente seria feito? E se me enganassem?

Só sei que acordei enquanto me deparava com essas questões, de modo que não imagino qual decisão teria tomado. Mas fiquei me questionando, agora acordado, por que meu insconsciente teria me levado a essa viagem enquanto dormia. Duas possibilidades, simultâneas, ocorreram-me. A permanente vigilância a que somos submetidos hoje, por câmeras nas ruas, bancos, lojas e até em nossas casas, e a cada vez mais crescente preocupação com o que ingerimos.

Não que as duas coisas sejam ruins. Entretanto, há que se admitir que existe um certo exagero em ambas. Em tempos de Big Brother, quando um dos esportes nacionais é fofocar sobre o que fazem e dizem pré-celebridades confinadas numa casa, dá sempre um receio de que as imagens que fazem da gente sejam usadas de forma irresponsável. Vide o caso da professora britânica, residente nos Emirados Árabes, que se matou após ter fotos suas, nua, divulgadas em um site de relacionamentos.

E a neura de que temos que viver comendo alface orgânica ocupa capas de revistas e programas de TV com frequência crescente. Será que meu sonho não é tão maluco e nem está tão longe de se tornar realidade?


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