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Uma sensação estranha, triste. O chão estava para cair. Eles não tinham compreensão da relação daquela sociedade. Alugaram a casa, era só o que o salário do metalúrgico podia oferecer. Aqueles tempos habitação não era responsabilidade de políticas públicas. As famílias pobres iniciavam suas vidas no casamento, locando imóveis, mesmo que em pequena escala.
Na casa geminada da Vila São Cristóvão, Maria Rita e seu amado João, viveram momentos de intenso amor. Lá os corpos se uniam nas noites, após um dia penoso e de muito trabalho, ele em seu torno no barracão quente das Máquinas Varga, ela cuidando dos dois meninos e já grávida de um terceiro filho. O sexo era pleno entre eles, mesmo com todas as convenções de um período prestes a ebuluir.
Mas aquele dia foi ruim, muito ruim. Ela sozinha em casa, enfrentando a frieza do dono da casa, cujo olhos brilhavam cifrãos e nunca sensibilidade. Ligou para o marido, que ainda tentou um adiantamento, para pagar os atrasados. O outro dono, desta feita da fábrica, portou-se frio, tanto quanto o outro. Mesmo assim argumentou, apelou, pediu, se humilhou. Emprestou uns trocos de um amigo, que foram para pagar o carreto. Ela chorou. |